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Abril

50 anos de histria na anestesia

 



Confira a entrevista com o anestesiologista Dr. Paulo Ernani Evangelista, que possui uma histria de longa data com a anestesia e a SARGS. Com 50 anos de profisso, ele foi o responsvel por abrir as atividades cientficas de 2018 da entidade e compartilhou sua trajetria e as mudanas na profisso.

Como o senhor consolidou a sua carreira?
J trabalhei em equipe, mas na grande maioria do tempo trabalhei sozinho, que um outra experincia, uma opo. A profissionalidade de um anestesista
influncia ao consolidar uma carreira. O comportamento, o desempenho, o local, a posio da anestesia na medicina e no desempenho da especialidade.



Quais foram as principais dificuldades encontradas ao longo dos anos?
As dificuldades comearam a surgir depois que o tringulo amoroso entre cirurgio, anestesista e paciente deixou de ser um tringulo. As coisas ficaram complicadas depois que entraram os hospitais, os planos de sade e o governo. Alm disso, pela dificuldade de estmulo, de criao de novos hospitais, h um congestionamento nos blocos. Os atrasos so, no mnimo, de uma hora em muitas vezes. Isso desagrada a todos, o paciente em primeiro lugar. E pode parecer que a equipe est pouco interessada na pontualidade. Essa uma dificuldade que comeou a se notar h um razovel tempo, e muito ruim, porque h uma presso para um desempenho rpido e, s vezes, na pressa que acontecem os problemas.



O que o senhor destacaria para a classe de anestesiologistas?
Uma classe dividida no sobrevive. importante que haja envolvimento com as entidades, como SARGS. Isso fundamental e as lideranas da SARGS sempre foram bem combativas e atuantes e isso precisa continuar. Procurei ter um trabalho atualizado, srio, esforado, e optei pelas aes dentro da poltica mdica, fundamentalmente na anestesia e na medicina do Rio Grande do Sul. Eu sempre me dediquei aqui no Estado ou em Porto Alegre.



E se o senhor tivesse que traar um paralelo entre o anestesista de 50 anos atrs e o atual, o que basicamente acredita que mudou?
O desenvolvimento tcnico cientfico. Isso inevitvel e evidente. Cada 7, 8 anos muda tudo em relao a anestesia. Provavelmente o trabalho que se faz hoje no o mesmo que se fazia h 10 anos e no nos damos conta disso. Essa uma parte da evoluo cientfica, farmacolgica, da indstria farmacutica e de equipamentos. Em termos de grandes mudanas e foram mudanas para melhor est a do oxmetro e do capngrafo, que trouxeram muito mais segurana e diminuram o nmero de complicaes relacionadas com vias areas. Isso evidente. Com a dificuldade de intubao de esfago, o oxmetro ajuda no diagnstico e muito mais rpido. Isso favoreceu ao paciente. Existe agora uma discusso ao uso do BIS. H uma divergncia do ponto de vista da cooperativa mdica, inclusive entre os anestesistas, de que no existe trabalho que mostre a importncia ou significado da utilidade do BIS. Eu entendo que um outro ponto de apoio de trabalho do anestesista e eu sinto isso diariamente. uma anestesia mais tranquila, confortvel, segura e direta. Podemos utilizar menos anestsico e ter certeza de que o paciente est anestesiado adequadamente. Sem o BIS, para isso, se administra mais anestsico. E, s vezes, essa quantidade maior pode ser prejudicial para determinados pacientes, pois depende muito do estado fsico e da situao da doena.



Houve mudanas em relao aos pacientes?
No tipo de paciente. Eles esto mais idosos e com estados de sade mais graves, exigindo mais anestesista. O nmero de pacientes obesos nas cirurgias tambm aumentou. Pacientes femininos e masculinos, acima de 80 quilos, virou quase a regra. Isso acrescenta determinadas dificuldades que antes no se encontrava. A obesidade no era uma dificuldade que encontrvamos antes.



E o que atrapalha na hora da anestesia?
A falta de tempo para a realizao de uma avaliao clnica adequada. Os pacientes chegam no hospital uma hora antes e s vezes no tm como criar um relacionamento, como era antes, quando o paciente vinha um dia antes. Essa economia feita com a diminuio da avaliao, do relacionamento e da orientao que se possa dar aos pacientes. E no vejo como isso possa mudar. Hoje os anestesistas esto trabalhando muito. Alm disso h o desgaste de ficar esperando a cirurgia nos blocos, a aprovao do plano, o material. E essa situao acontece quando o paciente j est pronto para entrar na cirurgia. Isso falta de considerao com o paciente e com todos. No tem como explicar a mobilizao de um paciente que chega na hora da cirurgia e a mesma foi cancelada. As vezes tem que recuperar na sala de cirurgia porque no tem leito na recuperao. O afogamento de vrios setores acaba acarretando esse tipo de problema.



O senhor atua muito na rea de hipnose. Como funciona essa tcnica na anestesiologia?
Ela um grande instrumento em qualquer rea da medicina e, principalmente, na anestesia. Uma das principais utilidades da hipnose o tratamento da dor, para tranquilizar o paciente que est nervoso. D para fazer uma anestesia com hipnose, ou ainda uma cirurgia. Eu hipnotizei um cirurgio, para demonstrar que funciona mesmo. Se faz cesariana, apendicite, plstica. A hipnose utilizada ainda na preveno e tranquilizao, na vspera da cirurgia. O paciente fica mais tranquilo. Aqui no muito utilizado. Para a anestesia seria um instrumento importante. Dor e ansiedade somem se o anestesiologista souber usar a tcnica de hipnose.



E quando o senhor iniciou com a hipnose?
Eu iniciei pelo tratamento da dor. Comecei a usar para a medicina, com tratamentos para ansiedade, insnia, fobia, entre outros. E a, ento, passei a oferecer em meu consultrio a hipnose voltada para a medicina.



Qual mensagem o senhor deixaria para os profissionais que esto iniciando na carreira?
A anestesia est dentro de um contexto. Mas o principal a medicina. E a medicina no Brasil comea com a realidade em que vivemos. O profissional deve se comprometer, se interessar pela parte poltica, se manifestar sobre o que est acontecendo. Antes de ser mdico, ele cidado.

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